O Caminho Obscuro da Igreja
O Caminho Obscuro da Igreja
Nos últimos anos, temos testemunhado uma crescente e preocupante tendência: a politização de espaços religiosos. Igrejas, que deveriam ser refúgios de fé, esperança e amor, têm se transformado em palanques políticos, onde a mensagem do Evangelho é, por vezes, distorcida para servir a agendas partidárias. No Brasil, essa realidade se tornou ainda mais evidente com a ascensão do Bolsonarismo, que encontrou em parte da liderança evangélica um terreno fértil para propagar suas ideologias. Este artigo busca analisar criticamente essa intersecção perigosa entre fé e política, a influência de pastores sobre seus fiéis e a incoerência de certas posições cristãs diante de conflitos humanitários, como o de Israel e Palestina, à luz dos ensinamentos de Jesus Cristo e das Escrituras Sagradas.![]() |
| Foto: TABA BENEDICTO/ESTADÃO CONTEÚDO |
A Politização da Igreja e a Sombra do Bolsonarismo
A união entre a igreja e o Estado, ao longo da história, raramente produziu bons frutos. Quando a instituição religiosa se atrela a um projeto de poder político, a sua essência é corrompida. A mensagem de Cristo, que é universal e atemporal, passa a ser usada como ferramenta para justificar ações e ideologias que, muitas vezes, contradizem os princípios fundamentais do cristianismo. No Brasil, a ascensão do Bolsonarismo exacerbou essa problemática, criando uma simbiose perigosa entre o discurso de extrema-direita e a fé evangélica.
A Fé política! by Claudio Silva
Pastores e líderes religiosos, que deveriam guiar seus rebanhos na busca por uma vida de retidão e amor ao próximo, passaram a usar seus púlpitos para endossar um candidato e um projeto político específico. A linguagem bélica, o discurso de ódio contra minorias e a intolerância com opositores, características marcantes do Bolsonarismo, foram, de forma alarmante, incorporados em sermões e pregações. Fiéis que ousaram questionar essa politização foram hostilizados, taxados de “comunistas” ou “maus cristãos”, gerando divisões e feridas profundas no corpo de Cristo.
Essa postura vai na contramão do que a Bíblia nos ensina. Em Romanos 12:2, o apóstolo Paulo nos adverte: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”. Ao se aliar a um projeto político terreno, a igreja se conforma com este século, abrindo mão de sua vocação profética de denunciar as injustiças e anunciar o Reino de Deus, que não se baseia em poder, mas em serviço e amor.
Além disso, a Bíblia nos chama à unidade. Em 1 Coríntios 1:10, Paulo suplica: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.”. A partidarização da fé gera exatamente o oposto: a discórdia e a divisão entre irmãos, que passam a se enxergar como inimigos políticos, e não como membros do mesmo corpo.
No entanto, a história nos mostra que a fé não pode ser reduzida a uma plataforma política. Jesus Cristo, em seu ministério terreno, nunca se envolveu em disputas partidárias ou buscou o poder político. Pelo contrário, Ele ensinou sobre um Reino que “não é deste mundo” (João 18:36). Seus ensinamentos focavam na transformação interior, no amor ao próximo, na justiça e na misericórdia, valores que transcendem qualquer ideologia política.
Quando um pastor usa o púlpito para fazer campanha, ele desvia o foco da mensagem central do Evangelho. A pregação deixa de ser sobre salvação, arrependimento e vida eterna, e passa a ser sobre eleições, candidatos e partidos. Isso não apenas confunde os fiéis, que muitas vezes não conseguem discernir entre a vontade de Deus e a agenda política do líder, mas também afasta aqueles que buscam na igreja um refúgio espiritual, e não um comitê eleitoral.
A Bíblia é clara sobre a responsabilidade dos líderes. Em Tiago 3:1, lemos: “Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor.”. Essa advertência se torna ainda mais relevante quando a influência do mestre é usada para fins que desvirtuam a fé e promovem a divisão. A verdadeira liderança cristã deve apontar para Cristo, e não para um candidato ou partido político.
Se Jesus estivesse vivo hoje, é evidente que Ele defenderia vidas e não escolheria um lado para seguir em um conflito geopolítico. Seu ministério foi marcado pela compaixão pelos oprimidos, pelos marginalizados e por aqueles que sofriam. Ele curou doentes, alimentou famintos, acolheu pecadores e desafiou as estruturas de poder que promoviam a injustiça. Em nenhum momento Jesus incitou à violência ou à opressão de um povo sobre o outro.
Em Mateus 5:9, Jesus ensina: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”. A defesa incondicional de um lado em um conflito que gera tanta dor e morte vai contra o princípio da pacificação. A verdadeira fé cristã nos chama a buscar a paz, a justiça e a reconciliação, e não a justificar a violência em nome de uma suposta “vontade divina”.
Além disso, Jesus nos ensinou o amor ao próximo, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade. Em Lucas 10:27, Ele resume a Lei e os Profetas: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.”. O próximo, para Jesus, era o samaritano ferido à beira da estrada, o estrangeiro, o marginalizado. Não há espaço para o ódio ou a indiferença diante do sofrimento humano, independentemente de quem seja a vítima ou o agressor.
A Bíblia também nos exorta à justiça. Em Miquéias 6:8, lemos: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?”. Defender a justiça significa reconhecer o sofrimento de todos os envolvidos no conflito, clamar pelo fim da violência e buscar soluções que garantam a dignidade e os direitos humanos para palestinos e israelenses. A fé não pode ser um pretexto para a cegueira moral ou para a omissão diante da injustiça.
É fundamental que os cristãos de hoje reflitam sobre a verdadeira mensagem do Evangelho e sobre o exemplo de Jesus. A fé não deve ser usada como uma arma para atacar o diferente ou para justificar a violência, mas como uma força para construir pontes, promover a reconciliação e defender a dignidade de cada ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.
Que a igreja retorne ao seu propósito original, sendo sal e luz em um mundo conturbado, e que seus líderes guiem seus rebanhos não para palanques políticos, mas para o Reino de Deus, onde a justiça e a paz se abraçam, e o amor prevalece sobre todas as coisas.
Pastores e líderes religiosos, que deveriam guiar seus rebanhos na busca por uma vida de retidão e amor ao próximo, passaram a usar seus púlpitos para endossar um candidato e um projeto político específico. A linguagem bélica, o discurso de ódio contra minorias e a intolerância com opositores, características marcantes do Bolsonarismo, foram, de forma alarmante, incorporados em sermões e pregações. Fiéis que ousaram questionar essa politização foram hostilizados, taxados de “comunistas” ou “maus cristãos”, gerando divisões e feridas profundas no corpo de Cristo.
Essa postura vai na contramão do que a Bíblia nos ensina. Em Romanos 12:2, o apóstolo Paulo nos adverte: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”. Ao se aliar a um projeto político terreno, a igreja se conforma com este século, abrindo mão de sua vocação profética de denunciar as injustiças e anunciar o Reino de Deus, que não se baseia em poder, mas em serviço e amor.
Além disso, a Bíblia nos chama à unidade. Em 1 Coríntios 1:10, Paulo suplica: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.”. A partidarização da fé gera exatamente o oposto: a discórdia e a divisão entre irmãos, que passam a se enxergar como inimigos políticos, e não como membros do mesmo corpo.
Pastores e a Influência Política: Entre o Altar e o Palanque
A influência de líderes religiosos sobre seus fiéis é inegável e, quando usada para fins políticos, pode ser extremamente perigosa. A fé, que deveria ser um caminho para a liberdade e a transformação individual, torna-se um instrumento de manipulação e controle. Muitos pastores, imbuídos de um senso de poder e com a promessa de benesses terrenas, têm direcionado seus rebanhos a votar em determinados candidatos, sob a justificativa de que estariam defendendo “valores cristãos” ou “a família”.No entanto, a história nos mostra que a fé não pode ser reduzida a uma plataforma política. Jesus Cristo, em seu ministério terreno, nunca se envolveu em disputas partidárias ou buscou o poder político. Pelo contrário, Ele ensinou sobre um Reino que “não é deste mundo” (João 18:36). Seus ensinamentos focavam na transformação interior, no amor ao próximo, na justiça e na misericórdia, valores que transcendem qualquer ideologia política.
Quando um pastor usa o púlpito para fazer campanha, ele desvia o foco da mensagem central do Evangelho. A pregação deixa de ser sobre salvação, arrependimento e vida eterna, e passa a ser sobre eleições, candidatos e partidos. Isso não apenas confunde os fiéis, que muitas vezes não conseguem discernir entre a vontade de Deus e a agenda política do líder, mas também afasta aqueles que buscam na igreja um refúgio espiritual, e não um comitê eleitoral.
A Bíblia é clara sobre a responsabilidade dos líderes. Em Tiago 3:1, lemos: “Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor.”. Essa advertência se torna ainda mais relevante quando a influência do mestre é usada para fins que desvirtuam a fé e promovem a divisão. A verdadeira liderança cristã deve apontar para Cristo, e não para um candidato ou partido político.
Israel e Palestina: Onde Estaria Jesus Hoje?
Um dos pontos mais sensíveis e, ao mesmo tempo, mais reveladores da deturpação da fé para fins políticos é a forma como muitos cristãos têm defendido incondicionalmente os atos cometidos por Israel contra os palestinos. Essa defesa, muitas vezes, ignora o sofrimento humano, as violações de direitos e a complexidade histórica do conflito, baseando-se em uma interpretação distorcida de profecias bíblicas e em um sionismo cristão que não encontra respaldo nos ensinamentos de Jesus.Se Jesus estivesse vivo hoje, é evidente que Ele defenderia vidas e não escolheria um lado para seguir em um conflito geopolítico. Seu ministério foi marcado pela compaixão pelos oprimidos, pelos marginalizados e por aqueles que sofriam. Ele curou doentes, alimentou famintos, acolheu pecadores e desafiou as estruturas de poder que promoviam a injustiça. Em nenhum momento Jesus incitou à violência ou à opressão de um povo sobre o outro.
Em Mateus 5:9, Jesus ensina: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”. A defesa incondicional de um lado em um conflito que gera tanta dor e morte vai contra o princípio da pacificação. A verdadeira fé cristã nos chama a buscar a paz, a justiça e a reconciliação, e não a justificar a violência em nome de uma suposta “vontade divina”.
Além disso, Jesus nos ensinou o amor ao próximo, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade. Em Lucas 10:27, Ele resume a Lei e os Profetas: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.”. O próximo, para Jesus, era o samaritano ferido à beira da estrada, o estrangeiro, o marginalizado. Não há espaço para o ódio ou a indiferença diante do sofrimento humano, independentemente de quem seja a vítima ou o agressor.
A Bíblia também nos exorta à justiça. Em Miquéias 6:8, lemos: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?”. Defender a justiça significa reconhecer o sofrimento de todos os envolvidos no conflito, clamar pelo fim da violência e buscar soluções que garantam a dignidade e os direitos humanos para palestinos e israelenses. A fé não pode ser um pretexto para a cegueira moral ou para a omissão diante da injustiça.
Conclusão: O Chamado à Verdadeira Fé
O caminho que parte da igreja tem tomado, ao se enredar em disputas políticas e ao justificar a opressão em nome da fé, é, de fato, um caminho obscuro. Ele desvirtua a essência do cristianismo, que é o amor, a compaixão, a justiça e a paz. A igreja não foi chamada para ser um braço de nenhum partido político, mas sim um farol de esperança, um agente de transformação social e um corpo unido em Cristo.É fundamental que os cristãos de hoje reflitam sobre a verdadeira mensagem do Evangelho e sobre o exemplo de Jesus. A fé não deve ser usada como uma arma para atacar o diferente ou para justificar a violência, mas como uma força para construir pontes, promover a reconciliação e defender a dignidade de cada ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.
Que a igreja retorne ao seu propósito original, sendo sal e luz em um mundo conturbado, e que seus líderes guiem seus rebanhos não para palanques políticos, mas para o Reino de Deus, onde a justiça e a paz se abraçam, e o amor prevalece sobre todas as coisas.

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