O Caos dos Elétricos no Brasil

 O Caos dos Elétricos no Brasil: Por Que Brasileiro Gosta de Complicar as Coisas?


A ascensão das bicicletas elétricas e dos autopropelidos prometia ser uma revolução na mobilidade urbana brasileira. Mais economia, agilidade e sustentabilidade. No entanto, o que deveria ser uma solução virou um cenário de fiscalização rígida e novas taxas.

Mas antes de culparmos apenas o Estado, precisamos olhar para o espelho e encarar uma verdade desconfortável: "o brasileiro parece ter uma incapacidade crônica de seguir regras simples".


Foto: Reprodução

A Indignação Inicial: O Estado e a Categoria "A"


Recentemente, fomos bombardeados com notícias sobre estados apertando o cerco contra usuários de veículos elétricos. A exigência de habilitação categoria “A” para conduzir certos tipos de autopropelidos gera uma indignação imediata. Em um país onde o combustível é caro e os carros têm preços proibitivos, ver o governo encontrar mais uma forma de tributar e burocratizar o descanso financeiro do trabalhador parece uma "sacanagem" sem fim.

O Problema do "Jeitinho": A Vantagem que Sai Caro


O veículo de duas rodas é, por natureza, uma ferramenta de eficiência. Contudo, para muitos brasileiros, a eficiência não basta; é preciso ter a "esperteza".

No trânsito: Em vez de percorrer 500 metros para fazer um retorno seguro, condutores de moto invadem calçadas, atravessam passarelas colocando pedestres em risco e usam a faixa como se fossem transeuntes.

Uma vivência real
: O "Jeitinho" no Ambiente Corporativo

​Para ilustrar um pouco de jeitinho brasileiro, quero compartilhar uma experiência real que vivi e que moldou minha visão sobre nossa sociedade. 

 
​Trabalhei em uma empresa que, ao contrário de muitas outras, oferecia carros alugados extremamente confortáveis para os funcionários. Eu viajava pelo árido sertão nordestino e me sentia honrado por ter aquele conforto para trabalhar. A empresa era generosa: deixava o carro conosco nos finais de semana e arcava com os custos até em recessos de final de ano.

 
​Tinhamos vários benefícios, e um deles era lavar o carro e enviar a conta para a empresa. Logicamente, lavar uma vez por semana (quatro vezes ao mês) seria o razoável. Porém, presenciei colegas enviando notas de 8 a 10 lavagens mensais. Na época, comentei que aquilo daria problema; não por ser profeta, mas por pura lógica. ​O desfecho foi o esperado: devido ao abuso da "esperteza" de alguns, todos foram proibidos de lavar o carro mais de duas vezes por mês e diversas outras regalias foram cortadas. Essa minha vivência reflete exatamente o que acontece nas ruas: o jeitinho de poucos destrói a liberdade de todos.

A consequência: A lógica é simples. O abuso gera proibição. Onde havia liberdade, hoje há cortes de regalias devido à falta de bom senso coletivo.

Elétricos e Autopropelidos: Velocidade sem Responsabilidade


O cenário se repete com os novos meios de transporte. Alguém em um veículo que atinge 40 km/h já possui uma vantagem enorme sobre quem caminha ou pedala. Mas essa vantagem nunca parece suficiente.

O resultado? Pessoas correndo em locais proibidos, invadindo faixas e empinando motos elétricas, atropelando e matando pessoas em ciclofaixas e nas ruas, ignorando regras básicas de convivência social. Um exemplo claro que posso citar aqui, é de um Youtuber que usa um monociclo que, em busca de visualizações, infringem leis de trânsito e colocam vidas em risco. Qual o resultado disso? Regulamentação!




Conclusão: O Preço da Falta de Civilidade


Quando o Estado decide regulamentar e taxar, ele não o faz necessariamente pelo nosso bem-estar, mas sim pela oportunidade de arrecadação. No entanto, somos nós quem entregamos essa oportunidade de bandeja ao não sabermos viver em sociedade.

Me pergunto qual a dificuldade em reduzir a velocidade ao ver uma pessoa ou respeitar uma faixa de pedestre, ou espaço alheio por convicção social — e não por medo da multa — mas sim, por convivência em sociedade mesmo.

O maior penalizado não é o "idiota do YouTube" que faz isso para ganhar Like, mas sim você, o trabalhador que poderia ter um transporte eficiente e barato, mas acaba caindo na mão do estado e visto como um infrator, mesmo sendo uma pessoa que so quer seguir a vida em paz. 

E no final, mesmo não gostando da intrusão do estado, me vejo compelido em ter que concordar com a regulamentação, não porque eu concorde, mas pelo simples fato de perceber que o brasileiro parece gostar desse tipo de coisa. É incrível que nos conseguimos complicar coisas simples, e atualmente mais ainda em busca de clicks e visualizações, essa prática tem se tornado uma praga na sociedade moderna.

Comentários

Postagens mais visitadas