Poder Público: Os Agente do Caos!
Agentes do Caos: Quando a Força Policial Perde o Foco e a Credibilidade
Nos últimos tempos, uma onda de indignação tem tomado conta das redes sociais e das conversas informais pelo Brasil. A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), instituições que outrora figuravam entre as mais respeitadas do país, vêm acumulando críticas severas por parte da população. O que antes era visto como um símbolo de combate ao grande crime e à corrupção, hoje, para muitos, assemelha-se a uma força que persegue trabalhadores e foca em minúcias burocráticas, gerando um sentimento de revolta e desamparo.
A reflexão que se impõe é dura, mas necessária: o que está acontecendo com os agentes de segurança pública no Brasil? Estaríamos diante de um projeto de desmoralização dessas instituições ou de uma perda de foco institucional que transforma agentes da ordem em verdadeiros "agentes do caos"?
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| Foto: Reprodução |
De Casos Extremos a Minúcias Burocráticas
O estopim para muitas dessas críticas não vem apenas de abordagens rotineiras, mas de tragédias que chocaram o país. O caso de Genivaldo de Jesus Santos é, sem dúvida, o mais emblemático e doloroso. Em 2022, Genivaldo, um homem diagnosticado com esquizofrenia, foi asfixiado até a morte no porta-malas de uma viatura da PRF, em Sergipe, após os agentes lançarem gás lacrimogêneo no compartimento fechado. A brutalidade da ação, que gerou comparações com as câmaras de gás do regime nazista, resultou na condenação recente dos ex-policiais envolvidos. Este episódio trágico abriu uma ferida profunda na confiança pública em relação à corporação.No entanto, a indignação não se restringe a casos de violência extrema. Ela se alimenta diariamente de abordagens que muitos consideram desproporcionais e focadas em detalhes insignificantes. Vídeos circulam pela internet mostrando policiais multando motociclistas por causa de faixas reflexivas no capacete que estariam "fora do padrão" exigido pela legislação brasileira. Caminhoneiros, que já enfrentam jornadas exaustivas e estradas precárias, relatam perseguições por questões como o uso do Arla 32 (agente redutor líquido automotivo) ou até mesmo por transportarem pequenas geladeiras portáteis dentro da cabine para refrigerar seus alimentos.
A legislação existe e deve ser cumprida, isso é inegável. Contudo, a sociedade questiona a razoabilidade e a prioridade dessas ações. É justificável que agentes que passaram por concursos rigorosíssimos e treinamentos de excelência dediquem seu tempo a multar um trabalhador por uma faixa reflexiva milimétrica ou por uma geladeira na cabine, enquanto grandes criminosos continuam à solta? Para muitos, essa postura soa como "procurar pulga em corpo de elefante", uma atitude que apequena a instituição.
O Paradoxo da Ordem e o "Agente do Caos"
Em algumas comunidades dominadas pelo crime organizado, uma espécie de "ordem" paralela é estabelecida. Longe de romantizar ou apoiar o crime neste artigo, é um fato sociológico que, na ausência do Estado, o poder paralelo impõe regras rígidas. Roubos na própria comunidade são punidos severamente, e até conflitos domésticos são mediados pelo "tribunal do crime", onde em muitas comunidades o que seria considerado caos acaba tornado-se em ordem.
Quando o Estado, através de suas forças policiais, entra nessas comunidades, muitas vezes não é para restabelecer a paz duradoura ou fornecer serviços básicos (escolas, saneamento, saúde), mas sim para impor a força de forma brutal e, por vezes, caótica. A verdade é que, para o Estado, uma comunidade pacífica e autossuficiente (mesmo que sob o jugo do crime) é uma afronta. Portanto, enviam-se os "agentes do caos" para desestabilizar, mostrar a força estatal e, logo em seguida, abandonar a população à própria sorte.
Agentes do Caos na Vida Real?
Essa lógica do caos parece se estender às rodovias e abordagens urbanas exercida pelas forças policiais. Compartilho um relato pessoal que ilustra bem essa dinâmica.
Em uma de minhas muitas viagens a trabalho pelo Brasil, fui abordado pela Polícia Federal próximo a Itaberaba, na Bahia. Um dos policiais seguiu com abordagem, fazendo perguntas repetitivas, tentava me levar a contradição, uma tática que eu já conhecia, mesmo assim, tudo ocorria tranquilamente.
Mantive a calma e respondi a tudo, pois não tinha nada a esconder. Após uma revista minuciosa, onde encontraram apenas meu material de trabalho (na época, de telecomunicações) e roupas sujas, sem qualquer indício de ilícito, um dos agentes, que parecia determinado a escalar a situação ao "Caos", declarou: "Vou desmontar esse carro todo, viu, chefe". Minha resposta foi direta: "Por mim, pode desmontar tudo, mas depois quero tudo no lugar. Inclusive, já vou filmar aqui os plásticos do meu carro, que não têm um arranhão, e a pintura também". Naquela época, eu tinha um Focus Titanium, um carro que cuidava com carinho.
Imediatamente, peguei o celular, filmei o veículo por dentro e por fora, e liguei para um advogado que me orientou sobre como proceder em caso de danos. Diante da minha postura e da evidência registrada, os policiais recuaram, desistiram de desmontar o carro e me liberaram. Ou seja, o que deveria ser uma abordagem de rotina, para os "agentes do caos", transforma-se em uma oportunidade de prender, humilhar ou extorquir o cidadão.
Outra coisa que nunca entrou em minha mente, é quando a polícia aborda um cidadão falando que a película que usa no vidro do seu carro esta irregular e foge ao padrão da legislação brasileira, no entanto, os próprios agentes utilizam dessa mesma película ou insulfilme, em seus carros. Pergunto qual o sentido disso?
Aqui em meu estado os agentes do "Caos", faz abordagens a veículos que colocam som alto aos finais de semana em bairros periféricos, no entanto, os mesmos agentes do caos também utilizam seus carros para incomodar a vida alheia. Então fica a pergunta, faz sentido?
A Corrupção e a Perda de Credibilidade
A situação se agrava quando a busca por minúcias se mistura com a corrupção aberta. Casos recentes, como a prisão de policiais militares em Curitiba suspeitos de forjar flagrantes, desviar drogas e fornecer armas a traficantes, reforçam a percepção de que parte da força policial atua à margem da lei. Quando agentes cobram propina de comerciantes ou coagem mototaxistas, eles deixam de ser aplicadores da lei para se tornarem criminosos fardados.
A pergunta que ecoa é: porque as instituições no Brasil estão perdendo sua credibilidade de forma tão acelerada? A Polícia Militar já enfrenta essa crise de imagem há décadas, mas ver órgãos como a Polícia Federal e a PRF trilhando o mesmo caminho é alarmante.

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