INSTAGRAM: O JOB DIGITAL

 O Teto de Vidro das Prostitutas Virtuais: Da Prostituição de Esquina ao "Algoritmo da Sedução" nas Redes Sociais


Certo dia caminhando na orla de salvador, passei por um ponto das meninas do "Job", e a minha frente haviam duas moças que também estavam caminhando. De repente elas começaram a criticar as moças que estavam trabalhando, "falando como pode se vender por tão pouco" e ainda complementaram "putas feias da porra".



Um pouco mais a frente, elas pararam para tirar uma foto para o Instagram, e pude ouvir uma delas dizer "calma amiga deixa eu me ajeitar aqui" e ambas se ajeitaram dando mais volume aos seios e subiram mais o short para fazer aquela marquinha na piriquita, e por mais incrível que pareça uma delas brincou "ficou marcadinha hein amiga!", E toda essa situação me fez pensar qual a diferença entre a mulher do "Job" e as mulheres que postam foto e (vídeos) semi nuas ou nuas em redes sociais para ganhar engajamento e muitas vezes ate mesmo monetização com conteúdos de internet? 

Sobre isso vamos abordar um blog post, falando sobre essa disparidade moral que muitas mulheres têm em criticar garotas de programas autenticas, enquanto, elas mesmas se utilizam da mesma temática para postar a fotinha no feed das redes sociais utilizando o corpo como moeda de troca.


Corpo Como Vitrine


Certa vez li um livro de uma mulher chamada Catherine Walters uma londrina, que conforme a sua devida época era conhecida como uma "cortesã" — uma prostituta de luxo. Mas a sua notoriedade ia além da influência sobre os pensamentos e desejos masculinos, que incluía príncipes, juízes e até mesmo reis. Ela era tão estrondosa que possuía o poder, de ditar tendências de moda na aristocracia.

Catherine Walters - Foto: Reprodução


A história de Catherine nos leva a uma reflexão: o corpo feminino e a sedução possuem um poder econômico e social avassalador desde que o mundo é mundo. E hoje nas redes sociais temos uma mesma dinâmica dos tempos antigos, no entanto, as pessoas não acreditam que podem ser prostitutas virtuais.

Mas, o objetivo deste texto não é ditar regra. Eu não estou aqui para dizer o que as mulheres devem ou não fazer com os seus atributos corporais, ou se devem parar de usa-los para ganhar dinheiro. Para ser bem sincero, para mim tanto faz. Cada um sabe de si. O verdadeiro intuito aqui é outro: desmascarar a hipocrisia de quem aponta o dedo, para uma prostituta na rua e quando chega em casa, escolhe aquela foto bem despida na galeria do celular e posta nas redes esperando o engajamento, as curtidas e a monetização, e ainda sim, não quer ser classificada como prostituta digital.


Instagram o Refúgio Secreto Do Job Digital


Assim como as mulheres que citei acima, na sociedade existe uma tendência natural das pessoas em desmoralizar uma mulher que trabalha no "job", seja em um semáforo, na frente de uma casa de shows ou em um bordel tradicional, e disparar um julgamento sumário. "Se vendendo para ganhar migalhas".

No entanto, muitas das pessoas que destilam esse preconceito estão fazendo exatamente a mesma coisa — ou algo muito pior — dentro do ambiente higienizado das redes sociais. Elas usam o corpo como moeda de troca por engajamento, curtidas, mimos, jantares e contratos, e o pior "validação".

Mulheres que mal completaram maioridade, viajando o mundo inteiro em iates e aviões super luxosos, e todas elas possuem o mesmo padrão - fotos e vídeos sensuais do corpo, ou seja, prostitutas virtuais, vendem o corpo em troca de luxos e curtidas. 

Mulheres maduras e esposas que vão à academia, não para manter a saúde, mas sim, fazer aquele conteúdo bacana mostrando o corpo bem definido. Tenho certeza que a maioria delas não faz pensando em convidar as pessoas a cuidarem da (saúde), certeza, que é para mostrar os atributos do corpo feminino. 

Quantos vídeos em academia é postado por dia no Instagram? Vários certo! Inclusive, umas das maiores confusões em academia hoje, são justamente porque muitas prostitutas digitais, resolveram que o esporte ou exercício físico não são mais para o bem-star e a saúde, e sim, uma vitrine de exposição, de qual rabo é maior que outro ou qual tabaco fica mais divido que o outro. Vira uma competição sobre quem é mais prostituta digital.

O que me deixa mais intrigado não é a mulher que já é adepta a exposição, mas sim, uma mulher que se considera tradicional, mãe de família, utiliza-se desse mesmo comportamento e depois estão nas ruas criticando comportamento dos outros.


O Marido Cornélio


O caso fica ainda mais grave quando os maridos são compactuantes. As esposas decidem postar suas fotos ou seus conteúdos digitais e o marido as incentivam pelo simples fato da esposa ter bastante seguidor e esse engajamento todo permite ao casal levar uma vida com um pouco mais de luxo, pela monetização que o uso do corpo pode atingir. Então te pergunto, qual a diferença entre uma prostituta convencional e as digitais?

Belo e Gracyanne anunciaram fim do casamento após levar corno do personal trainer

Casos mais espantosos que eu percebo são aquelas falsas moralistas, tipo: conheço uma mulher, casada com 2 filhos pequenos e no perfil social diz ser cristã o que para alguns pode agravar mais ainda o caso. Antes ela era pouco gordinha só postava em suas redes conteúdos que podemos classificar como familiar, roupas levemente masculinizadas, cabelos sempre mal arrumando. 

Então veio o boom das academias e ela foi uma das pessoas que se motivou a deixar o corpo melhor, nada de mais. Só que agora, ela posta conteúdo quase que frequente mostrando o corpo nas redes, onde ela mesmo alega que é para motivar as outras mulheres, mas nos bastidores das conversas ela fica feliz quando o número de seguidores dela aumentam e o de curtidas também. Como não sou nada curioso, entro no seu perfil e leio muitos comentários, e lá estão homens famintos pelo corpinho da mamãe de família e as amigas que provavelmente são tudo falsa fazendo a validação da prostituta digital.


Este não é um problema em si, como já disse cada um faz o que quer! A questão é o falso moralismo, pois, ela e o marido vivia dando conselhos as pessoas sobre comportamento e até mesmo estilo de vida. Só para constar esse casal se separou. O moralismo do marido foi confrontado sobre o comportamento da própria esposa, e após diversas brigas, adivinhem o que aconteceu? A prostituta digital preferiu as redes sociais. Utilizou o argumento de que o homem não pode mandar no que as mulheres fazem, usam, ou como se comportam em tempos modernos. E você concorda com a alegação dela?


Duas Faces da Mesma Moeda


A prostituição tradicional (a da rua, das casas de massagem, da sobrevivência pura) e a "prostituição moderna das redes sociais" (o flerte com o algoritmo, a venda sutil da intimidade, os fetiches disfarçados de lifestyle) são duas faces da mesma moeda. Cada mulher entende e gerência isso à sua maneira. Algumas fazem por sobrevivência; outras, para manter um padrão de vida elevado e outras por burrice mesmo.

O ponto central não é o ato em si, mas a régua moral que a sociedade usa para medir as moças do "job". Por que o nu no OnlyFans ou a foto provocativa no feed do Instagram com a legenda de "autoestima" é considerada empoderamento, enquanto a mulher que vende o corpo na esquina para pagar o aluguel é tratada com escárnio?


Conclusão: Quem tem teto de vidro que jogue a primeira...


Antes de apontarmos o dedo para a moralidade alheia, precisamos olhar no espelho. Nós não possuímos essa autoridade moral toda que julgamos ter.

Seja para garantir o pão de cada dia na calçada ou para garantir o selo de verificado e o publipost nas redes sociais, o uso do corpo e da imagem para obter vantagens financeiras e sociais sempre existiu e continuará existindo. A única diferença entre o passado e o presente é o formato da vitrine.



Comentários

Postagens mais visitadas