Felca: Adultização De Vulneráveis
Adultização, escravidão e sacrifício humano: o que a história insiste em repetir
Recentemente, o vídeo do youtuber Felca sobre a adultização de crianças viralizou e provocou uma comoção nacional. Ao expor como redes sociais e influenciadores exploram menores para lucro e engajamento, ele tocou em uma ferida antiga. Sim, antiga — porque, apesar da indignação parecer algo novo, a essência desse problema nos acompanha desde os primórdios da humanidade.
O que Felca denunciou é só a face contemporânea de ser provavelmente um padrão de muitos humano: a capacidade de transformar pessoas — especialmente as mais vulneráveis — em objetos. Isso já aconteceu e ainda acontece de diversas formas. E, se olharmos com atenção, veremos que adultização, escravidão e sacrifício humano não desapareceram. Elas apenas mudaram de forma.
![]() |
| Foto: Reprodução |
A adultização: da aldeia ao algoritmo
No passado, crianças eram forçadas a casamentos, prostituição, servidão e até ao campo de batalha. A ideia de preservar a infância como um tempo protegido é recente na história. Hoje, não vemos mais esses ritos com a mesma frequência aberta, mas eles voltaram travestidos de “conteúdo” e “entretenimento”.
A sexualização precoce, antes restrita a contextos físicos, agora é globalizada por meio de redes sociais e potencializada por algoritmos que sabem exatamente como prender o olhar — e monetizar cada clique. É a mesma lógica de exploração, mas com estética moderna e a aparência de normalidade.
A escravidão: da corrente ao contrato invisível
A escravidão formal, que permitia a compra e venda legal de pessoas, foi abolida em muitos países. Mas isso não significa que acabou. Ela persiste em cadeias produtivas globais, no trabalho análogo à escravidão em garimpos e fazendas, no tráfico humano e na prostituição forçada.
A diferença é que hoje as correntes são substituídas por dívidas impagáveis, contratos abusivos e desigualdade econômica extrema. O sistema ainda transforma seres humanos em ferramentas de lucro, apenas revestindo o processo com burocracia e “legalidade”.
O sacrifício humano: do altar de pedra ao asfalto da periferia
Nas civilizações antigas, o sacrifício humano era ritualizado, feito para agradar divindades ou legitimar o poder de um governante. Hoje, ele pode estar na morte sistemática de inocentes em operações policiais, na execução de opositores políticos ou na guerra contra populações consideradas descartáveis.
Essas mortes, muitas vezes justificadas como “necessárias para a segurança”, enviam a mesma mensagem que os rituais antigos: o poder decide quem vive e quem morre. A lógica é a mesma, apenas trocamos o altar pela arma oficial.
A essência que sobrevive
O que essas três práticas têm em comum? “Desumanização”. No fundo, elas retiram de alguém sua dignidade plena para transformá-lo em objeto — seja sexual, econômico ou político.
A sociedade gosta de acreditar que “evoluímos” e deixamos tudo isso para trás, mas, na verdade, somente refinamos a aparência dessas violências, tornando-as mais aceitáveis aos olhos públicos.
O perigo de denunciar
Militar contra qualquer uma dessas formas de desumanização é perigoso porque elas sustentam estruturas de poder e lucro. Quando alguém, como Felca, expõe a adultização infantil, não está apenas atacando indivíduos, mas todo um sistema que se beneficia dessa lógica. E sistemas não reagem de forma pacífica a quem tenta desmontá-los.
Mas se a história nos ensina alguma coisa, é que silenciar diante dessas práticas só as fortalece. Reconhecer que a essência delas nunca deixou de existir é o primeiro passo para impedir que continuem se reinventando.

Comentários
Postar um comentário