121 Mortos Na Operação "Contenção"



Apesar da megaoperação “Contenção” ter eliminado mais de 121 criminosos, moradores dos complexos do Alemão e da Penha continuam sem respostas concretas sobre o que mudará em suas vidas. A violência estatal se repete, mas os serviços públicos e a cidadania seguem ausentes.




O que muda para o povo do Rio após a operação mais letal da história?


No dia 28 de outubro de 2025, o governo do estado do Rio de Janeiro, sob o comando de Cláudio Castro, deflagrou a Operação Contenção, uma ação policial que resultou na morte de 121 criminosos, sendo considerada a mais letal da história do país. O objetivo declarado era enfraquecer o Comando Vermelho, facção que domina vastas áreas da capital fluminense. Mas a pergunta que ecoa nas vielas e becos das comunidades é: o que muda de fato para os moradores?

Historicamente, o Rio de Janeiro já passou por diversas operações de grande porte — durante as Olimpíadas, a visita do Papa, e outras datas simbólicas — que prometiam pacificação e retomada de territórios. No entanto, essas ações raramente resultaram em melhorias reais para os moradores das favelas. O padrão se repete: incursões violentas, mortes, prisões, apreensões de armas — seguidas por silêncio institucional e abandono social.



A ausência do Estado além da polícia


A operação Contenção expôs mais uma vez a presença seletiva do Estado: forte e armado para reprimir, ausente para cuidar. Moradores relataram que corpos foram retirados por eles próprios das áreas de mata e levados até praças públicas, em um ato de denúncia e desespero Terra. ONGs e especialistas em segurança pública apontam que a ação reproduz uma lógica antiga: combater o crime com mais violência, sem atacar suas raízes sociais e econômicas.

A ADPF das Favelas, decisão do STF que estabelece regras para operações policiais, exige que o Estado apresente planos de retomada de territórios e prestação de serviços públicos. Mas até agora, não há sinal de que escolas, postos de saúde, saneamento ou oportunidades econômicas estejam sendo implantados nas áreas afetadas Poder360.

O poder do tráfico continua?


Mesmo após a operação, não há garantia de que o tráfico perdeu o controle sobre os complexos do Alemão e da Penha. A história mostra que, sem ocupação permanente e políticas públicas, o vazio deixado pela polícia é rapidamente preenchido por facções ou milícias. A repressão pontual não altera a estrutura de poder local — apenas muda os nomes dos comandantes.

O que o povo espera?

Foto: Reprodução Internet

O povo do Rio não espera apenas segurança. Espera dignidade. Espera que o estado cumpra seu papel constitucional de garantir direitos básicos. Espera que a vida nas favelas não seja marcada apenas por operações, mas por oportunidades. A pergunta que fica é: quantas mortes serão necessárias para que o Estado perceba que segurança não se constrói só com fuzis?





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