O Lulismo!

A Canonização do Lulismo: Da Celas às Salas de Aula?


Por: Claudio Silva



O Brasil assiste, em tempo real, à construção de algo que vai além de um mandato presidencial. O que as futuras gerações aprenderão nos livros de história sobre Luiz Inácio Lula da Silva? Se depender da atual conjuntura, o "Lulismo" está deixando de ser apenas um fenômeno eleitoral para se tornar uma disciplina ideológica institucionalizada.

O Mito da Fênix: A Biografia como Trunfo



Nenhum roteirista de Hollywood criaria uma trajetória tão improvável: o retirante que vira presidente, o líder que sai do Planalto com aprovação recorde, o réu que passa 580 dias na prisão e, por fim, o sobrevivente que retoma o poder para um inédito quarto mandato (considerando as projeções para 2026).

Essa narrativa de “redenção” é o combustível do Lulismo. Para o eleitor fiel — que compõe cerca de 30% do eleitorado brasileiro — Lula não é um gestor técnico, mas uma figura quase messiânica. Críticas sobre responsabilidade fiscal ou heranças econômicas negativas (como as deixadas no governo Dilma) ricocheteiam nessa blindagem emocional. Para o povo, o sentimento do momento presente costuma pesar mais do que a planilha do economista.



A Estrutura do Fenômeno: Classe, Cultura e Educação


A tese de que o Lulismo pode se tornar uma “disciplina” nas escolas não é tão absurda quando analisamos os pilares de sustentação da esquerda no Brasil:

A Identidade de Classe: A conexão orgânica com a base da pirâmide social, que vê em Lula um espelho.

O Aparelho Cultural: A hegemonia em setores universitários, artísticos e sindicais, que funcionam como curadores da memória nacional.

A Narrativa Escolar: A tendência de simplificar processos históricos complexos em heróis e vilões facilita a entrada da biografia de Lula no currículo pedagógico como o “libertador dos pobres”.

Entre o Chavismo e a Realidade Brasileira


Muitos analistas traçam paralelos com o Chavismo venezuelano, que utilizou o sistema educacional para perpetuar a imagem de Hugo Chávez. No entanto, o Lulismo brasileiro possui uma nuance: ele joga o jogo das instituições. Lula não precisa de uma revolução armada se tiver a caneta, o orçamento e, principalmente, a narrativa.

Até mesmo figuras internacionais de peso, como Donald Trump — antes visto como o grande aliado da direita brasileira — mostram pragmatismo ao negociar com o líder brasileiro, priorizando interesses comerciais em detrimento de ideologias de nicho.


Conclusão: O Lugar na História


Se o Lula de 2003 queria mudar o presente, o Lula de 2026 parece focado em selar o seu passado para a eternidade. Ao buscar a reeleição contra adversários que ele mesmo classifica como “menores”, ele não busca apenas mais quatro anos de governo, mas a garantia de que sua biografia será ensinada como a verdade absoluta nas escolas do futuro. O Lulismo, ao que tudo indica, veio para ficar — não apenas nas urnas, mas no imaginário (e talvez nos livros didáticos) de uma nação.

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